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Presidente Sergio Niskier: presidente@fierj.org.br |
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Pichações na PUC
ECOS DO PASSADO Federação Israelita afirma ir à Justiça Pichação anti-semita em banheiro da PUC do Rio provoca protestos KATIA CALSAVARA, DA SUCURSAL DO RIO
A Fierj (Federação Israelita do Rio de Janeiro) afirmou ontem que vai entrar na Justiça contra a PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) por suposto crime de racismo praticado por alunos da instituição.
A federação recebeu na semana passada a informação de que o banheiro do 5º andar da universidade, no departamento de história, teria pichações anti-semitas. Entre as inscrições, que foram fotografadas, estão símbolos do nazismo e do judaísmo em meio a frases como "precisamos extirpar esse câncer da face da Terra".
A Fierj encaminhou à reitoria da universidade um dossiê sobre o caso. A PUC, após analisar o documento, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não teria provas suficientes para incriminar nenhum aluno.
Nas paredes do banheiro, havia ainda uma frase que dizia que os autores possuíam uma comunidade no site de relacionamentos Orkut. O site, em que aparecem a foto e o nome de seis alunos de direito da universidade, foi tirado do ar. Na comunidade, intitulada "Sociedade Secreta do 5º Andar", não havia conteúdo anti-semita.
O banheiro já foi limpo. "Eles podem lavar o banheiro, mas não a mente dessas pessoas. Nós iremos entrar na Justiça para que não prevaleça essa indiferença. Isso se configura como crime de racismo e vamos pedir a retratação pública desses alunos", diz o presidente da Fierj, Osias Wurman.
Diante da posição da PUC, Wurman mostrou-se indignado com o fato de a direção da universidade não chamar os alunos ao menos para uma conversa.
Na apresentação da página do Orkut, estava escrito: "Destinada aos assíduos freqüentadores do banheiro do 5º andar da ala Frings da PUC Rio, principalmente os que preferem utilizar a última cabine como refúgio nostálgico pela perda do que já era o tão famoso, eficaz, e "dichavado" banheiro do 7º andar (que inclusive possuía ótima vista para o Departamento de Direito). Assim, neste novo templo, dois lances de escada para baixo, reencontra-se um espaço à tão bem-humorada subversão. Quem quiser mande frases de banheiro que julgue engraçadas."
Na PUC do Rio, atos anti-semitas Alunos da universidade são acusados de pichações emanifestações na internet SOCIEDADE, Karine Rodrigues, RIO
Seis alunos do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), situada na zona sul, são apontados pela Federação Israelita do Estado como suspeitos de atitudes anti-semitas. Eles teriam desenhado suásticas e escrito palavras de baixo calão contra judeus nas paredes do banheiro do 5.º andar da Ala Frings.
Um dos estudantes citados negou as acusações, mas disse que grafites similares são constantemente encontrados nos banheiros da instituição, onde 4% dos 15 mil alunos são judeus.
Na ala citada, onde funciona, entre outros cursos, o de Direito, havia ainda uma convocação para o Orkut, uma comunidade virtual, onde os seis estudantes fazem parte da chamada Sociedade Secreta do 5.º andar, “destinada aos assíduos freqüentadores” do referido banheiro, “um espaço à tão bemhumorada subversão”.
Presidente da federação, Osias Wurman disse ontem que os indícios de envolvimento dos seis alunos é muito forte. “Há muitas coincidências”, explicou. “A universidade precisa tomar alguma providência. As atitudes anti-semitas geralmente começam assim, de forma irresponsável, desavisada, estúpida.” Ele acrescentando que, se a PUC não investigar o que ocorreu, vai prestar queixa na delegacia e entrar com uma ação na Justiça contra os alunos identificados na página do Orkut.
Há uma semana, Wurman entregou um dossiê sobre o caso ao reitor da PUC, padre Jesus Hortal.
“Até agora eles não se pronunciaram”, disse. “Caso isso não ocorra em 48 horas, vamos iniciar uma investigação por outros meios. Há muitos estudantes e professores judeus na PUCe nós precisamos garantir a tranqüilidade e a segurança que eles tiveram dentro da universidade até agora”.
Entre as pichações, havia um martelo com o desenho de uma suástica sobre uma Estrela de Davi (símbolo judaico) e, ao lado, a frase: “Precisamos estirpar esse câncer da face da Terra. Chega de capitalismo, chega deLikud (principal partido da direita israelita, liderada pelo primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon), chega de Sharon”.
Pelas informações encontradas no Orkut, a página foi criada no dia 15 de setembro. Na comunidade estão inscritos os estudantes Hermann Haase, 21 anos, Luis Felipe Moreira, 20, Fábio Pimentel, Pedro Cardoso,21 anos, João Campos Paim Maciel e Daniel Padula Antabi, 22 anos. Daniel explicou ontem que a comunidade foi criada depois que eles descobriram que o banheiro do 5.º andar era mais vazio e, por isso, melhor do que o do 7.º andar. “A partir daí começamos a trocar informações sobre o local, tudo num clima de brincadeira”, contou. “Mas ninguém desenhou nada contra os judeus. Isso já estava lá, assim como em vários outros banheiros da PUC. Eu sou judeu, jamais faria isso.” A Assessoria de Imprensa da PUC informou no fim da tarde que o dossiê encaminhado pela federação não traz informações suficientes para a abertura de investigação.
Federação Israelita decide processar 6 alunos da PUC Paula Autran
Inscrições anti-semitas encontradas em um dos banheiros da Pontifícia Universidade Católica (PUC) estão delineando uma polêmica santa no Rio. Como adiantou Ancelmo Góis em sua coluna no GLOBO ontem, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) — com apoio do Centro de Referência Nazaré Cerqueira, que combate o racismo e é ligado à Secretaria de Justiça — vai entrar com queixa-crime contra os autores das inscrições, supostamente alunos da universidade, nas próximas 48 horas.
Inscrições em seis caligrafias diferentes
Segundo denúncia da Fierj feita na semana passada ao reitor da PUC, padre Jesús Hortal, as paredes do banheiro do 5 andar da Ala Frings da universidade estavam pichadas com palavrões e frases como “judeus são sub-raça” e “morte aos judeus”, dentro de uma bandeira americana. As frases estão escritas com pelo menos seis caligrafias diferentes. Também havia ilustrações como uma estrela de Davi sendo atingida por um martelo onde aparecia uma suástica. A assessoria de imprensa da PUC informou que o banheiro já foi limpo e que, após analisar a denúncia, com fotos, a direção da universidade considerou não haver provas concretas que justifiquem a punição dos alunos.
- Apesar de minha ligação com a instituição, não posso ficar indiferente ao que está acontecendo. Esses alunos precisam saber que hoje não se pratica discriminação impunemente. Está na Constituição brasileira: racismo é crime inafiançável e que não prescreve - disse o presidente da Fierj, Osias Wurman, que estudou computação na PUC e tem dois filhos formados na universidade, uma em direito e outro em economia. - Pena que a reitoria não possa apagar esta baixaria da alma das pessoas, como fez com os banheiros.
De acordo com Wurman, nas inscrições havia uma referência ao Orkut, comunidade de relacionamento virtual. Nela foi encontrada a comunidade “Sociedade Secreta do 5 andar”, de seis alunos da PUC, que incita os participantes a mandar “frases que julguem engraçadas” para serem colocadas no banheiro:
- Procurei o padre Hortal na quarta-feira passada. Ele, que é presidente do Centro de Cultura Brasil-Israel, pediu que eu deixasse lá o dossiê com fotos, mas até agora não nos procurou. Já que os alunos não serão punidos pela universidade, vamos tomar as providências legais.
A assessora de imprensa Clarice Abdalla disse que a PUC é uma universidade multicultural e de ambiente receptivo.
- Os 140 banheiros são limpos periodicamente, por uma empresa terceirizada. Em caso de denúncias, abrimos inquérito para apurar, mas, neste caso específico, não encontramos nada de concreto que relacionasse as pichações na internet ou justificasse a expulsão dos rapazes - disse ela, acrescentando que 5% dos 15 mil alunos da PUC são de fé judaica.
A PUC-RJ NÃO VÊ NEM LEMBRA
O reitor da PUC do Rio, padre Jesus Hertal, deveria pensar na história do porão da pontifícia instituição que dirige. Os mecanismos disciplinares da sua universidade ainda não conseguiram enquadrar os estudantes que fizeram inscrições anti-semitas e desenharam suásticas num banheiro da escola. É quase certo que sejam seis, todos alunos do curso de Direito. Até agora, a PUC produziu aquele terrível silêncio pacelliano (no sentido da empolação aristocrática do cardeal Eugenio Pacelli, não no da conduta de Pio XII). Nem investigação formal, nem repreensão pública.
Porta de banheiro é o derradeiro reduto indevassável da liberdade de expressão individual. Ademais, num país onde o ex-comandante da Aeronáutica, Walter Werner Bräuer, disse em 2000 que "eu não defendo Hitler, mas também não posso atacá-lo" seria uma demasia desarrumar a vida de meia dúzia de garotos por causa de um grafite de privada.
Mesmo assim, o padre Hertal deve se lembrar que em 1962 a sua PUC expulsou dois estudantes (os irmãos Ailton e Alcir Henrique da Costa) porque foram presos enquanto pichavam vivas ao Partido Comunista num muro do Centro da cidade, a dezenas de quilômetros da escola. Faziam isso como militantes comunistas, não como alunos dos cursos de engenharia e sociologia da PUC. Era reitor o padre Laércio Dias de Moura e a decisão foi referendada pela assembléia dos alunos, com o apoio de muita gente boa que ainda está por aí e a oposição do estudante de engenharia Pedro Malan.
Os dois estudantes expulsos tiveram as vidas prejudicadas. Nunca receberam uma palavra de conforto acadêmico ou de solidariedade cristã da PUC. Nem depois que o professor de direito constitucional, Luís Antonio Cunha Ribeiro, em 1997, instou a Reitoria a se pronunciar sobre o episódio. Casos semelhantes ocorridos na UFRJ foram simbolicamente reparados.
A PUC não precisa usar o rigor do padre Laércio em cima dos grafiteiros de privada de 2004. Não fazer nada, fica feio.
PUC esclarece
Um mau exemplo
As pichações anti-semitas desenhadas por estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio no banheiro de uma das alas, mais que um crime, espelham o preconceito de parte da elite nacional com grupos que, por mais integrados que estejam à sociedade, se diferenciam pela cor, pela cultura, pela religiosidade ou pelos costumes. Nada justifica os desenhos, nada explica o comportamento da direção da PUC-RJ - desistiu da abertura de inquérito por considerar que não havia indícios de prática ilegal no ato dos alunos. Ao deputado estadual Carlos Minc, o reitor Jesus Hortal alegou não ser ''bom dar publicidade a gente que a procura, mas merece nosso desprezo''.
Anti-semitismo, segregação, preconceito racial ou de gênero são crimes previstos em lei, passíveis de prisão. Não importa quem os pratica, precisam ser punidos, até para não se alastrar. Numa universidade, pública e privada, são alarmantes. Evidenciam um desvio de conduta. Alertam para a necessidade de se conter atitudes que nada contribuem para o crescimento de uma nação.
Se os estudantes da PUC dão publicidade a idéias segregacionistas, se os pitboys se acham no direito de atacar homossexuais, se o dono da loja veta a contratação de negros, é bom a sociedade se levantar para conter tais excessos. Preconceito não leva a lugar nenhum. E, especialmente, não constrói.
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