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Presidente Sergio Niskier: presidente@fierj.org.br |
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PALESTRA DE PILAR RAHOLA
Madri,
11 de março de 2004:
Mais
de cem mortos no maior atentado terrorista da história da Europa
Como
evitar novas tragédias como esta?
Em sua primeira visita ao Brasil, a
intelectual espanhola Pilar Rahola fará no Rio a palestra
A
Europa e o mundo diante da ameaça terrorista
Uma das mais importantes pensadoras atuais e
autora de vários livros, Pilar Rahola estará abordando neste encontro
temas como:
· A influência de grandes atentados em
eleições democráticas
· Como combater o terrorismo sem ferir as
liberdades individuais
· O mito da relação entre pobreza e
extremismo islâmico
· A importância da educação no combate
ao terror
Dia 17
de maio, segunda-feira, às 20h30
Hotel Meridien
Av. Atlântica,
1020, Copacabana
Telefone
3873-8850
Entrada Franca
QUEM É PILAR RAHOLA:
Nascida em Barcelona, é casada e tem três filhos - dois deles
adotivos. É doutora em Filologia Hispânica e também em Filologia
Catalã pela Universidade de Barcelona. Durante anos trabalhou como
jornalista na TV e imprensa espanholas. Cobriu conflitos como a guerra
entre Etiópia e Eritréia, a guerra dos balcãs, a queda do muro de
Berlim, o ataque ao Parlamento Russo e o processo de independência dos
países bálticos.
De 1993 a 2000, foi deputada no Parlamento Europeu e espanhol pela
"Izquierda Republicana Catalana". Participou de diversas
CPIs - entre elas, a famosa comissão Roldán, que investigou a corrupção
do último governo socialista. Durante quatro anos foi vice-prefeita da
cidade de Barcelona.
Atualmente, deixou um pouco de lado sua atividade política
profissional, atendo-se à atividade jornalística. Escreve nos
jornais espanhóis El País, El Periódico e Avui (catalão). Dirige
o programa de entrevistas "Vis a vis" e na televisão faz
parte de uma equipe de colaboradores do programa de debates da TV
espanhola " Esta es mi história". Além disso, participa
de debates públicos e congressos internacionais sobre a temática
da mulher e da infância.
Tem vários livros publicados em catalão e castelhano. Entre eles:
"Mujer liberada, hombre cabreado" (Ed. Planeta, 2000), "Carta
a mi hijo adoptado" (Ed. Planeta, 2001) e "História de
Ada. Los derechos pisoteados de los niños" (Ed. Random House
Mondadori, 2002).
A vinda de Pilar Rahola ao Brasil faz parte de um giro pela América
Latina que incluiu palestras e encontros em vários países. Em Montevidéu,
fez uma palestra no Congresso uruguaio sobre terrorismo, relações com
o mundo árabe, anti-semitismo na Europa. No Chile, falou em várias
universidades sobre o tema “A educação como forma de combate ao
flagelo terrorista”, tema que repetirá no Brasil. Já na Argentina,
sua palestra na Universidade de Buenos Aires teve como tema “A mulher,
o trabalho infantil e as discriminações na Europa de hoje”.
ARTIGO: A
rebelião dos canários Por
Pilar Rahola Os
mineiros tinham, até bem adiantado o século XX, uma técnica infalível
para proteger-se nas profundidades da rocha: os canários. A
pequena ave, mais sensível que o homem à falta de oxigênio e aos gases
tóxicos, morreria primeiro que estes se nas minas houvessem gases
venenosos ou demasiado monóxido de carbono. Se os mineiros vissem os canários
morrerem ou asfixiarem-se, sabiam que deviam abandonar a mina à toda
velocidade. O canário era o primeiro que sofria por um mal que acabaria
por matar a todos. Em
Skopje, na ex Iugoslávia, encontrei certa vez um ancião que havia
sobrevivido à história eriçada de guerras de seu país. Me contou o
segredo de sua sobrevivência: “Quando os judeus são perseguidos ou
escapam – disse com sua boca desdentada – é hora de fazer as
malas”. O
ancião iugoslavo tinha razão: na história moderna os judeus foram os
“canários” do mundo. Elementos minoritários e vulneráveis da
sociedade, os judeus foram sempre o primeiro alvo dos movimentos de
destruição e desumanização. Na
Inglaterra covarde do “apaziguamento”, Winston Churchill denunciava o
verdadeiro caráter da Alemanha Nazi. Um regime que começa perseguindo os
judeus – dizia Churchill – cedo ou tarde ameçaria a liberdade e a
vida de todos. A
temperança moral do mundo é posta à prova. Se os judeus podem ser
perseguidos ou assassinados impunemente – raciocinam os tiranos – então
pode-se passar para o próximo passo. Todas as grandes ditaduras de nossa
época – nazismo, stalinismo, esquerda, direita – tiveram os judeus
como o alvo predileto e como coelhinhos da índia de sua violência
assassina. Todas terminaram por causar milhões de mortos de todas as nações. Se
o gás mata o canário, cedo ou tarde matará o mineiro. E isto é o que
sucede hoje em dia com o fundamentalismo islâmico. O integralismo é o
novo totalitarismo que ameaça as sociedades ocidentais. Sob um verniz de
conceitos religiosos, o fundamentalismo é uma doutrina política totalitária
e fascista. Israel e os judeus foram seu primeiro alvo e, graças à
indiferença do mundo, agora o flagelo estende-se por qualquer lugar como
uma impiedosa epidemia. Quando
israelitas morrem despedaçados pelas bombas terroristas, o mundo cala.
Vozes de condenação se levantam contra Israel e não contra os
assassinos. Os algozes e não as vítimas recebem a solidariedade do
mundo. O judeu entre as nações ocupa o mesmo lugar que o judeu entre as
gentes: o eterno culpado, o vilificado, o causador de problemas. Israel é
acusado de causar o terrorismo islâmico. Na realidade, o estado judeu é
sua primeira vítima e é um campo de provas para os assassinos. A
covardia e a indiferença do mundo em lidar com o terrorismo, convenceu os
assassinos de que poderiam atacar os Estados Unidos, a Europa e a Ásia. Assim,
o terrorismo – que poderia ter sido entendido com uma ação combinada e
enérgica – converteu-se em um mal em escala mundial. Houve
também outros “canários” na história moderna. Em 1938 o estado pacífico
e democrático da Checoslováquia foi a primeira vítima de Hitler. Foi um
balão de ensaio do Nazismo. Se Praga caísse, cairiam também Varsóvia,
Amsterdan, Paris e Londres. No infame tratado de Munique, as potências
democráticas claudicaram ante Hitler que, convencido de sua debilidade,
sentiu-se confiante para lançar a Segunda Guerra Mundial. A
lógica de Munique continua viva, tanto na Europa quanto nos assassinos.
Quando a voracidade de Hitler reclamava a Checoslováquia, França e
Inglaterra assinalavam o pequeno país centro-europeu como o culpado de
uma tensão que levaria à guerra. “Esse país insolente deve ceder –
dizia Chamberlain, referindo-se à Checoslováquia – para salvar a
paz”. Praga
foi forçada a ceder, a Checoslováquia desapareceu e assim começou a
guerra. Hoje em dia a mesma lógica se aplica a Israel. Frente ao
terrorismo, Israel deve ceder, para salvar a paz. A
falácia desse argumento é óbvia: o fundamentalismo islâmico não busca
tal ou qual reivindicação territorial, senão a destruição de Israel e
do Ocidente em seu conjunto. Frente a esta realidade, o Ocidente e
especialmente a Europa são suicidamente cegos. Se,
como a Checoslováquia, Israel cai ante o fundamentalismo, qual será o próximo
passo? França, que tem em seu seio milhões de muçulmanos e onde os
grupos fundamentalistas ganham cada vez mais poder? Inglaterra, onde imãs
fundamentalistas queimam bandeiras inglesas? O
que o Ocidente parece não entender é que Israel é o campo de batalha
onde lança seu próprio futuro. Se Israel cai frente ao terrorismo, então
todo o Ocidente estará ameaçado. As mesmas redes de tráfico de armas e
dinheiro que os terroristas usam para atacar Israel, são utilizadas para
atacar os Estados Unidos e outros países ocidentais. Im’ad
Magnia, o assassino do Hezbollá que organizou o atentado à AMIA, foi
ativo na rede que permitiu a tragédia do 11 de setembro. Ramzee Yussef, o
líder do primeiro atentado às torres gêmeas em 1993 fez suas primeiras
armas no Hamas. O Irã arma o Hezbollá e com as mesmas redes comandou o
assassinato de dissidentes nas ruas de Berlim. Em
Estambul, a estratégia dos “judeus primeiro, depois o resto” é
ensaiada com sangrenta eficácia: duas sinagogas são atacadas e só uns
poucos dias depois alvos ingleses e turcos também o são. Berlim
e Jerusalém: Durante a Guerra Fria, o mundo pareceu ter aprendido. O
Ocidente se deu conta de que Berlim era o canário que não podiam deixar
morrer. Enquanto a ditadura comunista construía o muro de Berlim, John F.
Kennedy visitou a cidade sitiada e clamou “Eu sou um berlinense”.
Estava enviando uma mensagem clara e forte: Se Berlim é atacada, todo o
Ocidente o é. Se deixamos Berlim cair, isolada e fechada em um mar de forças
hostis, então nós seremos os próximos. Israel
– curioso paradoxo – é como Berlim: um oásis democrático e
ocidental rodeado de forças hostís e de um mundo árabe em crescente
radicalização. Assim como Berlim podia ser deglutida pela “maré”
soviética, Israel pode desaparecer sob 20 ditaduras árabes. Porém,
a lucidez do mundo – em especial da Europa – durou pouco. A cegueira
judeofóbica não deixa ver o óbvio e empurra a Europa para uma espiral
sucidida. Em vez de olhar o problema na cara, os europeus consideram
Israel como “um perigo para a paz”. Igualmente ridículo que houvesse
sido considerar Berlim – e não aos que a ameaçavam- como um perigo
para a paz. A mesma cegueira que fez com que Chamberlain chamasse Benes (o
líder checoslovaco) de insolente e não a Hitler. Aos
franceses, que por moda ou ódio judeofóbico acusam Israel de ser “o país
que mais ameaça a paz mundial”, lhes perguntaria: Se o Hamas vence,
como deterão os fundamentalistas da França? Na mente dos
fundamentalistas, a queda de Israel aplanará o caminho para futuras
conquistas, no coração mesmo da Europa. Devido
à cegueira e à covardia de Munique, a França passou a ser de primeira
potência do mundo a um patético país de terceira e a Europa perdeu para
sempre seu espaço de preeminência. Agora, graças a seu anti-semitismo e
à sua hipocrisia, permitirá ao fundamentalismo islâmico reinar sobre o
continente. A
Europa pensa “se Israel não existisse, o mundo seria um lugar mais
seguro” da mesma maneira que pensava “se a Checoslováquia não
existisse, a Europa estaria mais segura”. É
tão ridículo como um mineiro que veja o canário sofrer se enoje com
ele, em vez de pensar que ele e seus companheiros correm perigo. A
“correção política” e a covardia não deixam atacar o problema na
raiz. Experts alemães realizaram, a pedido da União Européia, um estudo
sobre os atos de anti-semitismo que assolam a União. A conclusão foi
taxativa: elementos radicais muçulmanos estavam por trás da onda de violência
anti-judaica e a “nova esquerda” dava legitimação e sustento ideológico
aos ataques. A demonização de Israel nas mídias, coadjuvava a violência. A
reação das autoridades frente a este estudo mostra porquê a Europa vai
direto ao desastre: a reportagem foi engavetada por considerar-se
demasiado “ofensiva”. Em vez de fazer frente ao problema e tomar
medidas enérgicas, a comissão encarregou outra reportagem “mais
lanceada”. Alguém
dirá: “Sim, porém, e os palestinos?” “Eles são os oprimidos e não
Israel”. A
atitude da Europa não tem nada a ver com os justos reclamos dos
palestinos. Também
durante Munique os alemães dos Sudetes (região Oeste da Checoslováquia)
eram considerados oprimidos. Eles foram a desculpa de Hitler para reclamar
o desmantelamento do pacífico país centro-europeu, apesa de que Praga
havia acedido a quase todas as demandas de autonomia dos germanófobos dos
Sudetes. Israel,
tal como os judeus, não é odiado pelo que faz, senão pelo que é. Israel
é odiado por ser um oásis democrático e ocidental em um mar de
ditaduras. Israel é odiado por apoiar-se em valores de humanidade e
liberdade cercado de tiranias sangrentas. Israel é odiado porque
apresenta um exemplo nefasto para ditadores e tiranos. Não são os
defeitos de Israel o que os terroristas odeiam – os quais existem em
abundância -, senão suas virtudes. A
intifada não foi lançada por causa da falta de negociações de paz, senão
para fazê-las fracassar. Os atentados suicidas começaram em pleno
processo de paz, foram causa e não conseqüência de seu fracasso. Aos
olhos da Europa Arafat ganhou popularidade e legitimidade precisamente após
rechaçar a paz e lançar uma guerra. A
falácia de que maiores concessões por parte de Israel deterão o
terrorismo é tão óbvia quanto perigosa. Ainda os que cremos, como o
autor destas linhas, na justiça do reclamo palestino e na necessidade de
um Estado Palestino ao lado de Israel, devemos saber que o terrorismo –
e a hostilidade da Europa – têm pouco a ver com essa reivindicação. A
solidariedade com os palestinos é, talvez, uma das maiores hipocrisias do
século. A Europa que colonizou o mundo árabe, que oprime suas próprias
minorias muçulmanas e que cala complacente frente às tiranias que
assolam o mundo muçulmano, se descobre como campeã dos direitos humanos
precisamente no tema palestino. A
Europa, que - como a França – interveio dezenas de vezes em suas ex-colônias
africanas, lava suas culpas nas costelas de Israel. A Europa que inventou
o colonialismo, o genocídio e o totalitarismo converte as vítimas em
culpados. A
Europa jamais protestou quando os palestinos eram submetidos pelo Egito, Síria
e Jordânia. Tampouco quando o Kuwait expulsou 300.000 palestinos de seu
território. Só quando Israel é o suposto “perpetrador”, a
solidariedade se faz ver. Longe
de ser solidária, a Europa trata outra vez de “apaziguar” assassinos.
Os que pagam, são outra vez os judeus. Se
não temos canários – pensaria um mineiro néscio e suicida – então
não haverá gás tóxico na mina. Se não existisse Israel – pensam
europeus covardes e anti-semitas – então não haveria fundamentalismo
islâmico. Os
europeus são – nas palavras do grande Milan Kundera – “os
engenhosos aliados de seus próprios coveiros”. Israel,
é como disse um jornalista israelense, um país “on probation”. O
problema não são os territórios ocupados, nem o conflito palestino. O
tema é o direito de Israel existir. A legitimidade mesma da existência
de um Estado Judeu. Nenhum outro país do mundo tem sua existência mesma
questionada. Inclusive os que cremos na necessidade de entregar territórios
em troca da paz, não devemos enganar-nos. A hostilidade da Europa não
tem nada a ver com os territórios. Em
uma notória pesquisa, 19% dos italianos disseram que Israel deveria
deixar de existir. Mais revelador que o resultado é propriamente a
pergunta: Por que é legítimo para um pesquisador europeu pôr em dúvida
o direito de Israel existir e não o da Índia, Síria, França ou Itália? Israel
tem que pedir permissão e perdão pelo mero fato de existir. Quem
acompanha atentamente as emissões televisivas européias verá que já não
se debate acerca de tal ou qual plano de paz, nem acerca de regras
territoriais. O debate centra-se em deslegitimizar a existência mesma do
estado. A
“nova esquerda”, que na realidade tem pouco de nova e muito de ranço
stalinista totalitário, converteu em legítimo e cool o anti-semitismo e
a deslegitimização de Israel. Os anti-semitas modernos já não são
velhos nazis ou fascistas repulsivos, senão intelectuais progressistas e
da moda. Como dizem Alain Finkielkraut, “é o tempo dos anti-semitas
simpáticos”. O
filósofo judeu-francês – que, diga-se de passagem, é um antigo
militante pela causa palestina – queixa-se amargamente: “os debates
nos quais participamos não são discussões, senão tribunais”.
Aceita-se a terrível irracionalidade de ser anti-semita como condição
necessária para ser liberal e anti-racista. O “direito de solo” que
os intelectuais judeus têm que pagar para serem aceitos continua subindo:
se antes tinha que ser pró-palestino, agora há que franca e plenamente
negar o direito a Israel de existir. A
sociedade e os meios de comunicação colaboram ativamente. “Quando Le
Pen – líder da extrema direita francesa – atacava os judeus, era
condenado unanememente; quando Tarik Ramadam – pseudo intelectual muçulmano
de esquerda – lança uma lista de ‘judeus suspeitos’, é convidado a
explicar sua posição em ‘tout le monde en parle” (um programa da
atualidade muito em moda na elite artísitica e intelectual francesa). Se
houvesse objetividade, se poderia lutar com a mesma força pelos direitos
dos palestinos e pelo direito de Israel de existir livre e seguro, como um
estado judeu e democrático. Paradoxalmente,
as posturas israelenses mais extremas se vêem fortalecidas por esta
atitude. Se o que se nega é a existência mesma do Estado, inclusive em
suas fronteiras de 1967, - pensa a extrema direita – então, de que
serve fazer dolorosas concessões? Se
o que se deslegitimiza é Tel Aviv, então para que renunciar a Hebron? O
argumento é logicamente irreprovável. Para que ceder territórios que se
tenham no coração da consciência histórica judaica, se esse sacrifício
não nos assegurará a paz, o reconhecimento e a segurança? Frente
a isto, a esquerda se vê esvaziada de argumentos e impelida aos extremos,
e os que desejam um acordo baseado em concessões mútuas sentem-se como
ingênuos que ignoram os verdadeiros motivos de seus adversários. Quando
o presidente francês Daladier voltou de Munique esperava ser linchado por
sua claudicação ante Hitler. Em vez disso, foi recebido por uma multidão
que o ovacionava por ter salvado a paz. Ninguém queria “morrer pela
Checoslováquia”. Fingindo um sorriso, voltou-se para seu ministro das
Relações Exteriores e murmurou: “Quels cons!” “(Que imbecis!)”. As
similitudes com a época atual são arrepiantes. Líderes que legitimam
ditadores e assassinos são tratados como “heróis da paz”, enquanto
asseguram um futuro de mais guerra e terrorismo. Me pergunto se enquanto
desfrutava de seu orgasmo midiático anti-americano e anti-israelense,
Jacques Chirac se havia voltado para Dominique de Villepin para dizer
“Quels cons”... Canários
indóceis. Agora bem, suponhamos que em uma mina, os canários dizem
basta! Basta de morrer para alertar os mineiros de perigos iminentes.
Basta de sofrer, porque de todos os modos os mineiros não nos prestam
atenção e seguem envenenando-se lentamente com os gases tóxicos da
mina. Basta
de morrer gratuitamente, porque a triste verdade é que aos mineiros não
importa. Basta
de asfixiar-nos por nada, porque a única coisa que recebemos é o ódio e
não a solidariedade dos mineiros aos quais salvamos. Basta, porque os
mineiros jamais aprenderão a lição e jamais entenderão que se nós
morrermos, morrerão eles também. Basta, porque nem sequer cuidam de nós,
para cuidarem-se a si mesmos. Basta.
Nos negamos a ser as cobaias da mina; vamos fazer o que fazem todos os
demais: defender nossa própria vida antes de tudo. Esta é a legítima eleição de Israel hoje.
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