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Respostas à nota publicada no JB |
O Jornal do Brasil publicou no dia 23/03, na coluna Hildegard Angel , uma nota caluniosa que mereceu as respostas abaixo, em cartas publicadas na seção "Cartas ao Editor" de domingo 28/03.
O Outeiro da Glória amanheceu ontem todo grafitado com suásticas e a expressão ''anti-semitas'' várias vezes repetida. Uma tristeza, vandalismo total! É a reação enfurecida de extremistas - que supõe-se sejam judeus - contra o filme A paixão de Cristo. Que desserviço estão prestando à harmonia sempre existente entre todos os povos, raças e credos neste país! E vamos repetir o que já dissemos: o filme, de anti-semita, nada tem. A não ser que passemos a considerar anti-semita a Bíblia. E vamos dizer outra verdade: a incorreção da narrativa desses fatos bíblicos sempre houve, sim, mas no cinema de Hollywood. Os filmes sobre a vida de Cristo, realizados pelas produtoras de Samuel Goldwin, Charles B. Mayer, os Warner Brothers, Darryl Zannuck etc., sempre nos enganaram. Durante décadas nos acostumamos a ver Cristo sendo sacrificado, flagelado, crucificado, exclusivamente pelos romanos. Numa flagrante distorção dos fatos relatados na Bíblia. Vamos ser mais tolerantes uns com os outros, permitir a liberdade de expressão e de criação e aceitar os fatos como são. Ou como foram... E por favor não grafitem amanhã o prédio do Jornal do Brasil, porque Hildezinha tem o maior respeito pelo povo judeu, sua luta, sua capacidade, seu sofrimento, e conta com grandes amigos israelitas, que podem confirmar isso. Ela só não aceita radicalismos...
Escrevo para transmitir ao Jornal do Brasil a profunda indignação da Comunidade Israelita do Rio de Janeiro, a qual presido por meio da Fierj, pela publicação de nota na coluna da jornalista Hildegard Angel (23/3), acima intitulada. O JB tem uma história de dignidade e respeito pelas minorias e sempre foi abrigo seguro para as causas judaicas e sionistas. Sou testemunha de seu respeito pessoal às tradições judaicas e sei dos vários executivos, membros de nossa comunidade, levados ao JB por sua iniciativa. Não podemos conceber que os milhares de leitores, assinantes e anunciantes, fiéis ao JB até nos piores momentos por que passou, se vejam frustrados pela indignidade publicada sob suspeita leviana e absolutamente fantasiosa. Culpar ou levantar suspeição de grafitagem com símbolos nazistas, efetuada por membros da comunidade judaica carioca, é uma declaração caluniosa. Nossos irmãos de fé são destaque e talentos na escrita e no jornalismo brasileiro. Nunca na grafitagem! Por decisão do Supremo Tribunal Federal, no caso Ellwanger, passaram a ser crimes inafiançáveis e imprescritíveis o racismo e o preconceito racial. A leviandade de uma falsa acusação enquadra-se neste caso. Solicito que, na melhor linha de dignidade e respeito à verdade, o JB mande reparar a calúnia contra a nossa comunidade. Estou certo de que será um reparo em respeito também a seus leitores de outros credos, que não desejam ''beber o veneno'' da discórdia e do desentendimento religioso em nosso Brasil.
Osias Wurman, presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) e vice-presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), por e-mail
A senhora Hildegard Angel encontrou pichações de suásticas e dizeres ''anti-semitas'' espalhados pelos muros do Outeiro da Glória. A conclusão da jornalista: foram os judeus radicais. Motivo das pichações: recente discussão em torno do filme de Mel Gibson. Será que em algum momento a jornalista pensou na hipótese de as pichações, com dizeres ''anti-semitas'', serem resposta aos desenhos do símbolo nazista que ali estavam? Símbolo este que é a representação mais clara de manifestação anti-semita por motivos óbvios! Não pareceu estranho à colunista atribuir pichações de suásticas a judeus? Em seguida, trata de atribuir a alguns dos principais cineastas de Holywood do século 20 (obviamente, todos judeus. Coincidência? Não creio) o fato de, graças a eles, pensássemos terem sido os romanos que mataram Jesus e não os judeus. Desconhece (ou finge desconhecer) que foi o papa João XXIII, no Concílio Vaticano 2, e, mais tarde, apoiado pelo atual papa João Paulo II, que desmentiu a acusação contra os judeus de deicídio. Além do mais, não me venha com o velho papo do ''Anti-semita? Eu? Mas, eu tenho inúmeros amigos judeus! Que acusação descabida!'' Saiba a colunista que os valores da amizade são muito superiores a crenças e sentimentos particulares. Ou seja, os amigos são amigos não porque são judeus, mas porque são amigos.
Bruno Gottlieb, Rio de Janeiro, por e-mail