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Cartas de reação às declarações de Saramago |
As cartas abaixo estão publicadas em O Globo de hoje (15/10). Uma forma democrática e eficiente de demonstrarmos nossa indignação à senilidade preconceituosa de Saramago. Um exemplo a ser seguido nos futuros episódios anti-semitas.
Saramago e Israel
O escritor português José Saramago reincidiu no esbanjamento de preconceito antijudaico em sua recente entrevista ao GLOBO. Debita o drama palestino à comunidade judaica mundial. Seria o caso de questioná-lo se todo o povo português é responsável pelo passado da ditadura de Salazar, da qual Saramago guarda inexplicável orgulho. Importante lembrar que, lamentavelmente, o sofrimento no conflito atual no Oriente Médio não poupa os inocentes, sejam israelenses ou palestinos. O Estado de Israel continua sendo a única democracia entre os 22 países árabes circundantes e vem reagindo contra uma das formas de terrorismo suicida que mancham o mundo de sangue. Os israelenses da era pós-Holocausto preferem críticas às condolências.
Osias Wurman, Presidente da Federação Israelita do RJ (por e-mail, 14/10), Rio
Com relação à reportagem “Saramago: Israel não merece simpatia” (14/10), posso apenas lamentar as atrocidades ali contidas. Israel não espera demonstrações de simpatia por parte de uma pessoa que nos compara aos nazistas. Como pode ser? Nazistas não podem receber e tampouco merecer nenhuma simpatia. Israel tem todo o direito de se proteger e lutar contra terroristas que declaram abertamente que seu único objetivo é a destruição do Estado de Israel. Para uma pessoa como o sr. Saramago, que não vê diferença entre um campo de concentração e a cidade de Ramallah, não há necessidade de confundi-lo com os fatos. Não importa para ele, por exemplo, que Ramallah estava prosperando economicamente, com um índice anual de crescimento de 9,2%, segundo estatísticas do Banco Mundial, até que Arafat decidiu abrir a guerra de terror contra Israel, em setembro de 2000. Não importa para o sr. Saramago que os palestinos podiam ter tido o seu Estado independente durante 20 anos, de 1947 a 1967, entretanto preferiram montar uma organização denominada Organização de Libertação da Palestina, cujo objetivo declarado não era o de construir seu país, mas sim o de destruir o Estado de Israel. Não vou entrar em uma discussão para contradizer os argumentos de Saramago. Há uma lição que tiramos do Holocausto — a de não contarmos com a simpatia dos outros para sobrevivermos e levarmos sempre a sério quando alguém diz que quer nos matar. Prefiro viver sem a simpatia do sr. Saramago, mas viver.
Daniel Gazit, embaixador de Israel (14/10), Brasília, DF
Discordo do escritor José Saramago quando diz que os israelenses não aprenderam nada com o Holocausto. Aprenderam que nunca mais ninguém vai matar judeus só porque são judeus, como tentaram Hitler, a Inquisição em Espanha e Portugal, e como tentam o Hamas, a Jihad Islâmica e outros. Hoje se constroem muros para se defender e não para isolar. O capital de Israel e do povo judeu não é a simpatia de quem quer que seja nem o Holocausto. Nosso capital é um país desenvolvido social e tecnologicamente, uma sociedade com valores morais de solidariedade, onde analfabetismo não há, saúde e educação são para todos (inclusive para os 2 milhões de árabes que lá habitam), uma democracia plena e dezenas de laureados com o Prêmio Nobel, assim como Saramago.
Bernardo Stolnicki (por e-mail, 14/10), Rio
Saramago está totalmente equivocado ao dizer que os judeus nada aprenderam com o Holocausto. Aprenderam sim. Aprenderam a se defender e aprenderam que, se esperarem a simpatia do mundo, serão aniquilados como na Segunda Guerra, quando o mundo assistiu calado ao extermínio de judeus e outras minorias, só se envolvendo quando seus próprios interesses foram atingidos.
Ilana Schulz (via Globo On Line, 14/10), Rio
Pergunto ao sr. Saramago se o povo judeu só é digno de simpatia devido ao sofrimento por que passou. E se ele tem realmente conhecimento das atrocidades cometidas pelo nazismo e se isso pode ser comparável a reações israelenses a atos terroristas palestinos. E, finalmente, pergunto se é justo rotular todo um povo por discordar das ações de seu governo.
Eliana Griner (via Globo On Line, 14/10), Rio