
Dia de Lembrança das Vítimas do Holocausto instituído pela ONU |
Rabino Henry Sobel recebe visita do Presidente Lula em evento histórico na CIP "Mesmo que não existisse nenhum judeu no Brasil, ainda assim eu combateria o anti-semitismo", Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República
O evento foi uma iniciativa da CIP, da B'nai B'rith do Brasil com apoio da CONIB. Estiveram presentes, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça Márcio Tomaz Bastos, o ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Jacques Wagner, a assessora especial da Presidência da República, Clara Ant, o porta-voz da Presidência da República, André Singer, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo, José Serra, o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Claudio Hummes, a embaixadora do Estado de Israel no Brasil, Tzipora Rimon, o presidente da B´nai B´rith do Brasil, Abraham Goldstein, o presidente do Congresso Judaico Latino Americano e presidente da Confederação Israelita do Brasil, Jack Leon Terpins, o vice-presidente da CONIB e presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, Osias Wurman, o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Jayme Blay, a presidente da Congregação Israelita Paulista, Lena Strumpf, a presidente da Unibes, Dora Brenner e as presidentes da B'nai B'rith de São Paulo, Gisele Kusniek e Adélia Cabílio, o diretor executivo da B'nai B'rith Latino-Americana, Leon Birbragher, o presidente da Sherit Hapleita do Brasil, Ben Abraham e outras personalidades.
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| A seguir a integra do discurso do Exmo. Sr. Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva |
| Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2006 Meu caro
amigo Henry Sobel, nosso querido rabino, Este dia é para ser lembrado não só pelo povo judeu, não só pelos sobreviventes do holocausto, os que sofreram as mais infames torturas, os que perderam seus entes mais queridos, nem somente pelos seus descendentes. A sombra desta tragédia se estende sobre toda a humanidade e é a humanidade, toda ela, que deve ter, nesta data, uma referência, uma aliança que sele o compromisso de nunca esquecer um dos episódios mais trágicos da sua própria história. O holocausto deve ser lembrado com indignação por nós, pelos nossos filhos, pelos filhos dos nossos filhos e por todas as gerações futuras. É preciso impedir que esse crime hediondo se repita onde quer que seja. O anti-semitismo é a expressão covarde dos mais vis e desumanos instintos. Nasce da intolerância, se alimenta do ódio e só leva à destruição e à morte. Não é por acaso que na Europa nazista as mesmas mãos criminosas que mataram milhões de judeus também exterminaram homossexuais, negros, comunistas, ciganos e tantas ouras pessoas. Nós devemos promover os valores mais elevados da solidariedade: paz e tolerância contra o anti-semitismo, os preconceitos de raça, religião e classe, e transformar esses valores em ações concretas. Lembro-me muito bem do dia em que um grupo de companheiros da comunidade judaica, representando o povo judeu, foi no meu gabinete para assinar uma petição dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. Eu, na hora que vocês me expuseram o problema, eu nem bem li o documento não tive dúvida de assinar, porque achei que estava na hora das Nações Unidas lembrarem que a humanidade nunca pode esquecer o que aconteceu, um dia, no mundo, sob os nossos olhos. Foi em agosto de 2004. O rabino Sobel mais 10 lideranças da comunidade, alguns estão aqui presentes. Hoje, dia 27 de janeiro de 2006, estamos todos juntos, aqui, colhendo o fruto dessa importante iniciativa da comunidade judaica. O governo brasileiro se perfila com muito empenho, junto com todas as pessoas de bem, para manter o nosso país sempre alerta e punir qualquer iniciativa anti-semita, qualquer manifestação racista. Nossas leis e nosso sistema jurídico são importante instrumento de defesa da sociedade contra toda forma de discriminação racista. O esforço que temos que fazer para evitar o anti-semitismo, o racismo, a intolerância, o terrorismo é muito pequeno se comparado ao preço que teremos de pagar se formos omissos e não lutarmos. Nosso país cumpriu, mais uma vez, com o dever de honrar o compromisso com a democracia e a paz que nosso povo tanto preza. A paz entre os povos é a maior arma contra o holocausto. Aproveito a oportunidade para registrar um gesto de deferência do primeiro-ministro Ariel Sharon por ocasião do primeiro derrame que ele sofreu. Enviei-lhe uma carta e ele, gentilmente, a respondeu. Essa mensagem me foi entregue ontem pela embaixadora de Israel, Tzipora Rimon, aqui presente. E eu achei que era importante relatar a vocês que o governo brasileiro se preocupou demais com a doença do Primeiro-Ministro porque ele estava cumprindo um papel extremamente importante para consagrar a paz no Oriente Médio. Repito: a paz entre os povos é a maior arma contra o holocausto. A paz entre os povos é a maior arma contra a intolerância e o terrorismo. Meus amigos e minhas
amigas, Também não é demais lembrar que o povo judeu tem importância em nossa formação cultural. Desde as antigas colônias do Nordeste até a participação ativa de sua comunidade no dia de hoje os judeus ajudaram e ajudam a construir o nosso país. A primeira sinagoga das Américas foi construída em Pernambuco e foi de lá que saíram os judeus que criaram sua primeira comunidade em Nova Iorque. Por fim, quero deixar registrado aqui, mesmo que não existisse nenhum judeu no Brasil, ainda assim eu combateria o anti-semitismo. E, neste momento, ao lembrarmos a dor do holocausto, prestemos uma homenagem às vítimas da intolerância, do terrorismo, e que esta homenagem se concretize em uma luta cotidiana pela paz. Shabat Shalom, e muito obrigado. |
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