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Presidente Sergio Niskier: presidente@fierj.org.br |
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Em 1947, foi criada a Federação das Sociedade Israelitas do Rio de Janeiro, entidade de base local, congregando 42 entidades. Os seguintes objetivos estavam presentes no seu primeiro estatuto (seguindo orientação do Jewish World Congress – Congresso Judaico Mundial, instituição que congrega as comunidades judaicas da diáspora):
O fundador e primeiro presidente da Federação também foi o responsável pela doação do imóvel que abrigou a primeira sede, na Rua México. O primeiro período (até 1960) pode ser caracterizado por uma definição representativa da Federação, motivada por eventos nacionais e internacionais.
No final da década de 50 retomou-se uma discussão já iniciada na década de 20: a plausibilidade da Federação exercer papel normativo além do representativo que já possuía. Duas tendências normativas monopolizavam o debate naquela ocasião: o sionismo, que ao institucionalizar-se no Brasil, passa a ter influência direta nas tomadas de decisão da Federação Israelita, e a retomada da definição étnico-religiosa do judaísmo, que defendia que o modelo institucional mais adequado (o de Kehilá), representando e organizando os indivíduos judeus e não as entidades federadas.
No início da década de 70, a Federação Israelita do Rio de Janeiro adota clara estratégia de democratização institucional na tentativa de mobilizar o voto direto de membros isolados e entidades, quase como um contraponto ao ambiente autoritário da sociedade mais ampla. A intenção era a de atrair membros potenciais já afastados da vida comunitária e refratários à dinâmica institucional da Federação.
Algumas questões desafiavam as estratégias de atuação da Federação: como deter a tendência assimilacionista? Como renovar e atrair novos quadros dirigentes? Como atrair novas gerações para o estudo e o interesse pela cultura judaica? Como estreitar laços com Israel a fim de que os judeus da diáspora não percam totalmente sua identidade étnica?
Em 1975 é elaborado um novo estatuto para a Federação, com duas novidades. A primeira é a realização de uma antiga idéia: transformar indivíduos isolados em eleitores (já na eleição para o Conselho Deliberativo, em 1976, teve 127 candidatos). A segunda é a inclusão de uma nova cláusula nos objetivos da Federação: “Promover campanhas de esclarecimentos sobre as atividades da comunidade israelita, assim como de sua participação na vida comunitária do País”.
Na década de 80, a atuação da Federação caracterizou-se pelo uso permanente dos meios de comunicação de massa, para fins de esclarecimentos, denúncias, demonstrações cívicas, por um lado, e de canais formais (judiciário, executivo e legislativo), por outro, traduzindo uma mudança nas suas estratégias. Os documentos da Federação, neste período, resumem-se a correspondências para presidentes, governadores, prefeitos e deputados (buscando apoio para questões relacionadas aos judeus no Brasil e no mundo), a notificações contra manifestações pró-OLP, a denúncias em jornais de grande circulação, a lobbies junto ao legislativo, sobretudo junto a deputados judeus ou simpáticos à causa judaica, enfim, documentos que atestam uma clara mudança na orientação política da Federação. Nesse mesmo período a Federação se transforma em instituição de utilidade pública em decreto assinado pelo então presidente João Batista Figueiredo, em clara tentativa de afirmar-se como entidade coletiva visível e participativa da dinâmica societária brasileira.
Baseado em GRIN, Mônica. Diáspora minimalista: a crise do judaísmo moderno no contexto brasileiro. in SORJ, Bila (org). Identidades judaicas no Brasil contemporâneo. Imago. Rio de Janeiro: 1997
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